"A partir do conhecimento transfiro-me da aparente separação para a reunião
Pelo meu consciente poder de transformação do Enlaçador de Mundos Guerreiro, que o que foi ocultado seja agora revelado”
+::::+::::+::::+::::+::::+::::+::::+::::+::::+
BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 1- CAMINHOS NATURAIS
retirado do blog: http://pistasdocaminho.blogspot.com/2008/11/magia-xamanismo-e-bruxaria-caminhos.html
Temos
trabalhado nessa coluna sobre xamanismo, bruxaria e magia. Sob vários aspectos
estive partilhando algumas reflexões sobre questões que envolvem estes
caminhos.
São
caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que
surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da
realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.
Existem
muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador
(a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem
também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos
deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também
ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se
interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o
impregnaram de seus (pré) conceitos.
Há
também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e
existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer
desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias
pessoais.
É
fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre
querendo provar que "seu" caminho é "superior” e tem nos títulos
e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando
óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas
serviu para ampliar a vaidade.
Muitas
pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram
no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes
resolver o imanente, o aqui e agora.
Existem
muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é
importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos
caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e
consciente é fundamental.
O
ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através
do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as
pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.
Entretanto,
com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob
seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos
ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos
completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.
Portanto,
caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi
criado no ritmo da cidade e da indústria.
A
proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos
diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir
preceitos prontos.
Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia
efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de
forças ou seres.
Não
há projeção de um “pai/mãe” psicológico aqui, há uma clara proposta de
compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando
transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando
transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais
entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar
em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nestes
caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças,
mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes
momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que
ritualizar é reatualizar o mito em nós.
Uma
xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se
ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca
"implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.
Nestas
linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada
rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas
manifestações.
Somos
parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito
específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir
está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.
O
que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a
realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após
as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem
em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.
Assim
como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e
raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com
finalidades que vão além de nossa compreensão racional.
Este
é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) :
Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos
em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações
recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto
distinto daquele que originalmente nascemos.
Podemos
ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero
raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a
AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos
"tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.
Por
isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas
formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo
ciclo.
O
ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script
pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.
Energias
que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos
para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas
perfeita para nossa condição.
Somos
metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da
TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos
nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de
energias diversas.
Mas
quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida
"programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao
confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.
Este
aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do
Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que
permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a
mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser
praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.
Gurdjieff
diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou
mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as
abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que
servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens
"consoladoras".
Assim
vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos",
"bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos
paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do
céu" , "pecado" , “culpa" e outros conceitos que são a base
das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam
as mesmas crenças.
O
Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não
oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas
necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que
nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa
volta.
Estes
caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional,
pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar
a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.
A
palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui
graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não
funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória,
dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso
com base no já vivido.
Por
isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais
sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de
insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de
consciência conduzem.
Assim
o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de
conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus
caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar
teoricamente de algo quer dizer muito pouco.
Esta
crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos,
vejam que há um "livro sagrado", a “palavra de Deus" e tal. Em
caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que
o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a
experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as
palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".
No
Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e
conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a
NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.
Acreditamos
que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos
de seres.
Muitos
ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" ,
"Anjos" e também "demônios" quando considerados
"inimigos" .
Na
Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que
vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.
Assim
procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo
que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda
assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como
nós.
O
ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas
fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa
floresta.
Quando
estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues
a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".
Da
mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os
mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram
projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos
diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que
corresponde a seus próprios interesses.
NÃo
há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a
concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos
estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades,
mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de
nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses.
O
Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser
humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é
questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de
"emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da
"Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria
ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.
Assim,
no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem
antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem
reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos,
justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não
humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos
plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes
conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada
que nos é imposta.
Expandir
a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que
exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a
"ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos
informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então
termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para
ousar o novo, o impensado.
Então
deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos
dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.
É
um desafio que vale a pena, entretanto também é nuvem que passa
.:. Por hoje é só .:.
+ Próximo Tópico: BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 2 - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA (parte 1)(acompanhe, cobre, leia)
+ Próximo Tópico: BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 2 - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA (parte 1)(acompanhe, cobre, leia)
paz e luz em seu caminho
TUPÃ DARAN
+:::+:::+.::.+:::+
Abençoados sejam o grande deus e a grande deusa
Abençoados sejam os filhos dos deuses
Abençoados sejam aqueles que procuram as pistas
Que tenhamos, sempre, muita luz, harmonia e entendimento
assim seja
assim se faça








Nenhum comentário:
Postar um comentário