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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Bruxaria, Paganismo, Xamanismo


"A partir do conhecimento transfiro-me da aparente separação para a reunião
Pelo meu consciente poder de transformação do Enlaçador de Mundos Guerreiro, que o que foi ocultado seja agora revelado”


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BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 2 - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA (parte 2)


postado por nuvem que passa


A Europa está mergulhada nas trevas da superstição e do obscurantismo.
Os ritos mágicos são perseguidos, tudo que discorda dos caprichos da Igreja é considerado pecado, mal, infernal e diabólico.
A mulher é considerado o veículo do mal na Terra.
Mas a grande Mãe, a Deusa não pode ser completamente apagada, assim transformada em santas, como Santa Brigida, ou em "Nossa Senhora" o arquétipo da Deusa, mesmo subvertido e deturpado sobrevive.
Do mesmo modo que os povos nativos europeus são subjugados e despojados de suas crenças os nativos da América são cruelmente mortos, escravizados e sua sabedoria destruída nas fogueiras da "Santa Inquisição".
Mas assim como na Europa grupos secretos, mantém de boca para ouvido a tradição de seus antepassados.
Chegam os Africanos a América, trazendo também seus ritos e sabedoria, ainda hoje motivo de preconceito para muitos.
Mas algo começa a mudar.
Uma nova classe, a burguesia comercial, começa a ficar poderosa.
E o antigo regime, com os reis, as cortes e todos os demais parasitas, começam a incomodar, precisam de uma nova base religiosa, de uma nova crença.
Surge a reforma protestante.
Permite o lucro, glorifica o trabalho.
Estava aberta a porta. A Igreja perde pouco a pouco seu poder, revoltas constantes minam o poder nefasto da coalizão Igreja - Monarquia. Reis e Bispos e padres vão perdendo poder.
Mas a nova visão do mundo que surge, em reação a terrível superstição da Idade Média cai noutro extremo.
O materialismo.
Newton, Descartes, Bacon, criam uma nova visão de mundo, onde o mundo é visto como uma máquina.
Impressionados com aparelhos como um relógio criam um novo paradigma, o mecanicista. Toda a natureza vira um vasto mecanismo.
Os animais são vistos como mecanismos vivos a ponto de alguns colocarem, no século passado já, que os que faziam experiências com animais não deveriam ter pena de seus gritos, pois eram apenas ruídos como em uma engrenagem.
A Era Industrial está surgindo.
Descartes fragmentou o ser humano: Res Extensa (matéria) e REs cogitans( mente). Com Newton a visão da escola eleática é consagrada, o mundo é composto de partículas, átomos, que, como blocos de armar, montam tudo que existe. A gravitação universal explica tudo mais e pronto, estamos presos numa visão de mundo mecanicista.
Muito útil ao desenvolvimento da sociedade industrial, pois se a Terra e a Natureza nada mais são que máquinas então nada de mal há em destruir florestas, matando toda a rica fauna, em rasgar a terra em busca de metais, em poluir rios, o ar.
Vejam no caos ecológico de hoje o resultado de tais idéias.
Os povos "primitivos", "pagãos" e incultos não conseguem compreender tais atitudes.
Sabe qual a melhor forma de fazer uma tribo indígena vender sua madeira, permitir que poluam com mercúrio para garimpo sua águas e matem seus animais?
Destruam suas tradições natais, convertendo-os ao cristianismo, especialmente aos ramos protestantes, nos quais basta entregar a alma a Jesus e aceitá-lo como salvador e tudo está bem. Doutrina da irresponsabilidade como diz um pensador.
E assim chegamos ao século XX.
E no século XX os físicos e matemáticos, os mesmos herdeiros de Newton e Descartes ao tentar mergulhar na natureza mais profunda da matéria são surpreendidos. A realidade se mostra diferente, nada mecanicista.
John Watson, um dos fundadores do Behaviorismo, almejava elevar a psicologia ao status de ciência natural e objetiva. Ele desejava tirar da psicologia termos como "consciência", "mente", "pensamento" e "sentimento". Escreveu certa vez:

"A psicologia tal qual um behaviorista a vê é um ramo puramente objetivo, experimental, da ciência natural e necessita da consciência tão pouco quanto a física e a química."
Como ficaria surpreso se lesse , algumas décadas mais tarde, o eminente físico Eugne Wigner: " Foi impossível formular as leis da teoria quântica de um modo plenamente consistente sem fazer referência a consciência".
A física revolucionava o mundo e então descobríamos que ao contrário do que a orgulhosa civilização positivista do século passado apregoava, não eram os magistas e bruxos de outras épocas que estavam superados pela ciência, era a ciência materialista que não tinha embasamento para compreender a complexidade da magia.
Assim chegamos em nosso tempo, onde estamos assistindo o renascimento da Magia.
Renascimento, recuperação do elo primordial que foi rompido, primeiro pelas forças obscuras, supersticiosas e sedentas do poder temporal, usando a máscara da religião para isso, depois pelos materialistas, que precisavam de uma crença numa natureza morta para poder explorá-la.
Depois de localizar historicamente o processo fica mais claro o que vem a seguir.
Enquanto o mundo oficial estava perdendo seu elo com a natureza e com a vida, enquanto as pessoas estavam cada vez mais sendo transformadas em massa de manobra, em produtoras e consumidoras de futilidades , secretamente alguns resistiam.
Enquanto sábias mulheres, ousados homens era mortos em fogueiras, torturados de forma cruel, em verdadeiros ritos de magia involutiva, objetivando imprimir na alma do mundo, no inconsciente coletivo, o medo à magia e as figuras estereotipadas de diabos e tolices congêneres que ainda assombram muitos, enquanto a felicidade era temida, alguns resistiam.
Eles levavam o saber das Idades.
O mesmo que tentaram destruir quando atacaram a biblioteca de Alexandria.
O mesmo que tentaram abafar quando os povos nativos da ilha sagrada foram perseguidos e mortos pelos Romanos depois pelos Cristãos.
Quando a bandeira do Dragão foi substituída pela cruz.
Quando a Deusa foi negada.
Quando a Terra foi deixada de ser vista como um ser vivo.
Quando os espíritos das fontes, dos rios e lagos, das florestas e montanhas foram tidos por demônios.
Quando o prazer foi proibido e considerado diabólico.
Quando nos fizeram esquecer que somos deuses e deusas, estrelas brilhantes, para nos forçar a mendigar por migalhas de um todo que nos pertence.
Quando a religião quis roubar para si a exclusividade da intermediação entre nós e o divino, escondendo que não precisamos de intermediários, pois possuímos um elo perene com a Totalidade.
Se precisamos de alguém é apenas para nos lembrar disso, nunca para substituir.
Quando a ciência quis roubar nosso direito de buscar nossas próprias respostas, querendo nos prender em seus limites, com sua arrogância, dizendo: não existe, para os fenômenos que deveria dizer: não entendo.
Enquanto isto acontecia alguns resistiam.
Muitos morreram, das mais cruéis formas.
Mas muitos sobreviveram.
E agora vem a tona de novo.
Vem a público.
Como me emociono quando leio os preparativos para a grande dança espiral para as comemorações do dia 22.
Como me emocionei em cada rito que este ano fizemos, ritos pagãos, plenos em poder e alegria.

LIBERDADE


Nós a reconquistamos.
A memória de todos aqueles homens e mulheres sacrificados no passado para que a chama não se apagasse é lembrada.
E cada povo tem sua forma de lidar com os poderes da natureza, sua forma de "encantar" as forças cósmicas e telúricas.
O Xamanismo é irmão da Magia, é magia também.
Tem ritos e a mesma visão orgânica que a magia possui.


A ARTE é ampla


Um pintor é tão artista quanto um pianista, um pianista como um poeta,um poeta como um cantor, um cantor como uma bailarina.
Formas diferentes de expressar a mesma coisa a ARTE.
Assim o xamanismo e as tradições profundas de magia oriundas da Europa são apenas formas diferentes de manifestar a mesma coisa: A ARTE!
Paganismo puro, que não aceita amarras, peias.
Como cavalos selvagens a correr soltos pelos vastos territórios da existência, recusando canga e antolhos, recusando que nos atrelem a carroças onde carregaremos valores e idéias que não nos farão felizes nem plenos, apenas servos.
E só os escravos servirão.
E só é escravo aquele que voluntariamente aceita tal papel.
Pois somos estrelas e as estrelas devem brilhar.


Bênçãos Plenas!




.:. Por hoje é só .:.



paz e luz em seu caminho

TUPÃ DARAN

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Abençoados sejam o grande deus e a grande deusa
Abençoados sejam os filhos dos deuses
Abençoados sejam aqueles que procuram as pistas
Que tenhamos, sempre, muita luz, harmonia e entendimento
assim seja
assim se faça



sábado, 17 de dezembro de 2011

Bruxaria, Magia e Xamanismo


"A partir do conhecimento transfiro-me da aparente separação para a reunião
Pelo meu consciente poder de transformação do Enlaçador de Mundos Guerreiro, que o que foi ocultado seja agora revelado”


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BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 2 - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA (parte 1)


retirado do blog: http://pistasdocaminho.blogspot.com/2009/02/xamanismo-e-magia-uma-perspectiva.html

postado por nuvem que passa


Para abordar as relações entre Xamanismo e Bruxaria seria interessante começarmos por uma breve retrospectiva da nossa história, da história dessa sociedade na qual vivemos, suas bases, suas origens.
Enquanto vc lê esta mensagem está usando os resultados de inúmeros campos de estudo que foram se desenvolvendo, até chegar a esta maravilha moderna, pura magia cibernética que é o computador e a net.
Nossa sociedade se desenvolveu a partir de toda uma série de influências e efeitos e temos que estar atentos a este ponto, pois o paganismo, a bruxaria, a magia é um retorno, uma mudança de paradigmas rumo a outro estado de consciência.
Um retorno que não é uma regressão, mas um resgatar de uma visão orgânica, holística e plena da vida, perdida nessa sociedade fútil de consumistas.
A sociedade contemporânea é completamente utilitarista em relação a natureza. Uma floresta é vista como reserva de madeira, a terra é rasgada e violentada para que tirem metais, os animais são apenas fonte de alimentos, os rios fonte de água e por aí vai. Esta tendência de ver a natureza como algo morto, algo mecânico é antiga. A briga, para nós no ocidente começa na Grécia antiga. Na Ilha de Creta a Sociedade era matriarcal. Então vieram os nômades pastores, conquistaram o local e impuseram sua estrutura patriarcal. Vejam um exemplo do que acontece: Em Creta as deusas principais eram Hegéia e Panacéia. Então os povos patriarcais mudaram tudo, impuseram Asclépio como o deus da cura e transformaram Hegéia e Panacéia em deusas menores.

Isto aconteceu em muitas mitologias e as Deusas passaram a ser mulheres e filhas dos Deuses, que passaram a ser dominantes. Isso aconteceu em muitos povos, aqui mesmo no Brasil em certas tribos eram as mulheres que presidiam as festas sagradas, como a festa das flautas. Conta a lenda que veio Jurupari e tomou das mulheres esse sacerdócio e as proibiu de participar da festa das flautas, com a pena de morte para as que ousassem desafiar tal proibição.
Hoje sabemos que as primeiras estátuas de culto a divindade não eram de Deuses mas de Deusas.
E é fácil entender.
Imagine para o homem simples, primevo, que nada sabia de "óvulo", " espermatozóide" ,"genética", ver, de repente, a mulher inchando, inchando e de repente "brotava" um ser humano novo... Magia pura.

Com as sociedades influenciadas pelos povos pastores a posse do rebanho e mais tarde nas sociedades agrícolas, a posse da Terra era o sinal de poder. Tais sociedades desenvolvem a luta como forma de se firmar e assim, como dono do rebanho, dono da terra, guerreiro e senhor dos exércitos o homem vai firmando seu poder. A mulher é relegada cada vez mais a uma posição servil e secundária.
Mas a ligação com a Terra e seus ciclos ainda é profunda.
A magia ainda é presente nessas sociedades.

O problema é que a história que temos foi quase toda adulterada, principalmente, pela Igreja Católica Romana, que era uma das únicas a dominar a escrita na Idade Média. Queimando e matando os herdeiros do saber, adulterando os livros, assim a Igreja Católica Romana deturpou a história profundamente.
Só hoje estamos começando a recuperar um pouco a verdadeira história do passado.
Assim para realmente mergulharmos na história desses povos antigos temos que entrar nas tradições orais dos mesmos.
Os grandes ritos pagãos são antes de mais nada festas da natureza, comemorando a época da colheira, a época das chuvas, a época do plantio...
Em harmonia, Terra e humanos.
E outra coisa muito importante. Existe uma diferença em ritualizar para celebrar e adorar.
Quando um religioso moderno se ajoelha está sendo subserviente, se humilhando frente a um deus que pune, que castiga, temível.
Uma das frases: Ser Temente a deus!
Para um pagão é totalmente diferente.
Ajoelhar-se é aninhar-se, ficar mais perto da terra, como uma criança no colo da mãe. Nunca com medo, nunca servil, mas parte integrante.

Há dois níveis para a religião de todos esses povos, dos Egípcios aos Caldeus, dos Babilônicos aos Sumérios, dos Celtas aos Vikings, dos Maias aos Toltecas.
Um nível é a religião "popular" aquela praticada pelos camponeses em geral. Cheia de simbolismos mas também cheia de superstições própria de um povo simples e de vida sem muitos questionamentos.

Mas em cada uma dessas tradições há também o aspecto oculto, iniciático destas religiões.
Este aspecto é passado de boca para ouvido, transmitido sob a capa da iniciação.
Os festivais sagrados no Egito e na Grécia e em Roma antes da decadência, tinham dois momentos.
Um momento aberto ao público, em ritos e procissões.

As procissões católicas são cópias diretas dessa parte, apenas tiraram o lado esotérico das mesmas, trocando os deuses por santos.
Segundo os estudiosos mais profundos toda a ritualística católica é imitação direta das egípcias, inclusive a morte do deus feito carne e sua ressurreição.

Quando o catolicismo ri dos seguidores dos cultos africanos, por terem eles sincretizado seus deuses com os santos católicos deveriam se lembrar que foram eles, os católicos, que primeiro fizeram isso, pegando os deuses e deusas e transformando em seus santos.
Como devem saber Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, tal data foi adotada pela igreja para fazer frente aos ritos da luz dos pagãos.
A diferença é que nos antigos ritos, presididos por verdadeiros (as) iniciados(as) cada ato, cada cor, cada canto, tinha um rico simbolismo que mexia de fato com as energias grupais dos envolvidos.
Os que participavam dos rituais tinham sua psiquê trabalhada, através de símbolos arquetipais, o rito era uma reatualização do mito.
É importante lembrar que todos os povos, egípcios, babilônicos, sumérios, gregos, romanos, passam por uma fase de ápice, apogeu e outra de decadência. No período da decadência grupos de sacerdotes só interessados no poder tomam o controle dos mistérios menores e os deturpam, tendo os adeptos dos mistérios maiores que fugir e se transformar em sociedades secretas para fugir da corrupção e da perseguição.

Vou dar alguns exemplos dessa deturpação.
Um dos xamãs com os quais estudei, na Guatemala, me contou que os antigos Olmecas e Toltecas quando lançavam uma virgem num poço sagrado, esta NÃO chegava ao fundo do mesmo. Era levada para outro mundo, outra dimensão diríamos hoje, pois era este rito um momento iniciático que após todo um período levava a iniciada a este grau de realização.
Mais tarde os invasores destas terras, outros povos índios que invadiram Tula e destruíram o império Tolteca, tendo visto a forma, mas não sabendo da essência, tentaram repetir os ritos toltecas, em busca do poder dos mesmos, iniciando assim uma era de sacrifícios sangrentos que ia ficar mais forte com os Astecas.
Operações médicas registradas em pinturas, como uma que o sacerdote tira o coração de um doente o mostra ao sol, cura o mesmo e depois o coloca de volta, foram interpretadas pelos invasores como uma "oferenda" ao deus sol e aí começam os sacrifícios reais. Vejam que para nossa cultura ainda é difícil entender o grau de magia que possuíam esses antigos povos.
Pois bem, quando Roma caí surge um novo Império.
Sabendo que não conseguiriam mais dominar pela força das armas os "bárbaros" os líderes do Império Romano mudam de estratégia. Criam uma nova religião, misturando várias crenças, misturando ritos pagãos e crenças outras. Usam a figura de Jesus, o nazareno, para seus próprios fins e adulteram os escritos que existiam sobre ele na época.

Criam assim a Bíblia como ela é conhecida hoje.
Quem teve acesso aos chamados manuscritos do mar morto e aos evangelhos apócrifos sabe como foi deturpado tal livro para servir aos interesses desse grupo dominante. Roma cai, mas surge então a poderosa Igreja Católica Apostólica Romana. E ela persegue todos que ameaçam seu poder, mesmo dentro de sua doutrina. Cátaros, Albiginenses e os lendários templários são perseguidos e mortos.


A magia , o conhecimento ancestral é tido por diabólico.
Basta ler Brumas de Avalon para perceber a influência nefasta da Igreja sobre as antigas tradições.
Mais tarde vem algo pior.
A Inquisição, que tortura com requintes de crueldade e mata os que ousam questionar. Com a Inquisição a magia é ameaçada de ser expulsa do mundo ocidental. Mas secretamente, os bruxos e bruxas continuam transmitindo de boca para ouvido seus segredos. É na cozinha, com seus caldeirões e colheres de pau, que muitas mulheres mantém a magia viva, escondendo ervas mágicas entre seus temperos, transmitindo, com o risco da própria vida, aquilo que aprenderam.
As grandes festas de celebração da vida são proibidas.

A alegria dos camponeses é invejada pelos senhores feudais.
A igreja teme a alegria, quem ri não tem medo do deus punitivo dos cristãos. Vejam : "O nome da rosa" como exemplo. Agora surgem novos cultos: Culpa, medo, submissão. Servem melhor aos senhores feudais. Domesticam o povo para que sejam servos mais dóceis aos seus senhores. O elo parece quase rompido.Mas secretamente, em clareiras enluaradas, em cavernas secretas, correndo risco de vida, alguns homens e mulheres continuam a transmitir a arte, continuam a praticar seus encantos.

Continua.

Sobre a Lua
Como meu papel no meu grupo de xamanismo é ser um contado de histórias e um transmissor da tradição procuro observar muito e estudar muito para ser fiel nesse transmitir do que me ensinam.
E o mais difícil é transmitir algo que vc só observa.
É o caso dos aspectos femininos da tradição.
Homens e mulheres tem aspectos muito próprios nesse aspecto. A mulher tem o útero e os ovários que lhe dão um poder extra e uma sintonia tão profunda com a vida e com a Terra e a natureza. Nós homens precisamos de muito, muito treino para desenvolver esta sensibilidade a natureza e as forças da vida que as mulheres tem quase naturalmente. Com certeza observar o céu, olhar para o céu é algo vital para quem quer de fato fluir com a magia, já que a sintonia com a natureza é a base da magia. Segundo meus estudos é isso que um sacerdote e uma sacerdotisa aprendem durante sua iniciação.
A compreender em si, a sentir em si como a natureza, em suas fases e mudanças, age sobre nosso mais sagrado templo. Por isso nada substitui o tempo no processo iniciático. Os (as) aprendizes da ARTE são levados a perceber como se sentem em cada fase da lua por exemplo, a sentir como é diferente uma lua cheia na primavera de uma lua cheia do Outono, uma lua cheia no Verão, com toda a chuva que nele há, de uma lua Cheia no Inverno, época de seca. Entre os antigos magistas conhecer astrologia e música era vital para se tornar um(a) magista. Creio que o mesmo vale para hoje em dia.Por exemplo, você acorda se sentindo de tal ou qual jeito. Vai na tábua de efemérides, ou mesmo num jornal que tenha onde os planetas estão. A partir destes dados interpreta seus próprios sentimentos e assim vai aprendendo a linguagem pela qual sua mente, seu corpo e seus sentimentos dialogam com o cosmos.
No Xamanismo, para um aprendiz ou uma aprendiz que começa bem nova na arte, com 16, 17 anos, consideramos que só aos 28, 29 anos (retorno de Saturno) o processo atingiu uma primeira etapa, pois aí quem está aprendendo tem bagagem para entender em si o que é influência da lua, influência das estações, ação das forças dos astros, matéria prima com a qual o(a) magista trabalha.
Como estou colocando no meu artigo sobre xamanismo não há diferenças reais entre xamanismo e magia. São ambos caminhos naturais, oriundos de povos que não perderam a visão orgânica com Terra e com a vida.
O xamanismo é a magia de povos índios, assim como a bruxaria vem de celtas, vikings e outros povos. Por isso, na minha opinião, um (a) guia durante o aprendizado é muito importante. É alguém que pode ajudar a desenvolver essa habilidade de observação. O (a) verdadeiro (a) mestre não impõe suas idéias ou estilos ao(a) aprendiz. Ao contrário, ajuda que desabroche o mais profundo e singular que cada um traz em si.






.:. Por hoje é só .:.




Próximo Tópico: BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 2 - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA (parte 2)(acompanhe, cobre, leia)

paz e luz em seu caminho

TUPÃ DARAN

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Abençoados sejam o grande deus e a grande deusa
Abençoados sejam os filhos dos deuses
Abençoados sejam aqueles que procuram as pistas
Que tenhamos, sempre, muita luz, harmonia e entendimento
assim seja
assim se faça

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bruxaria, Magia e Xamanismo - Caminhos Naturais


"A partir do conhecimento transfiro-me da aparente separação para a reunião
Pelo meu consciente poder de transformação do Enlaçador de Mundos Guerreiro, que o que foi ocultado seja agora revelado”


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BRUXARIA, MAGIA E XAMANISMO - PARTE 1- CAMINHOS NATURAIS



Temos trabalhado nessa coluna sobre xamanismo, bruxaria e magia. Sob vários aspectos estive partilhando algumas reflexões sobre questões que envolvem estes caminhos.
São caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.

Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.
Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.
É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior” e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.
Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.
Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.

O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.
Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.
Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da indústria.
A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.
Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.
Não há projeção de um “pai/mãe” psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.
Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.
Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.


Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.
O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.
Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.
Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) : Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.
Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.
Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.
O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.
Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.

Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.
Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.
Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.
Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".
Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , “culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.
O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.
Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.
A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.

Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.
Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.
Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a “palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".
No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.
Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.
Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .
Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.
Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.
O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.
Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".
Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.
NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses.


O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.
Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.
Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.
Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.
É um desafio que vale a pena, entretanto também é nuvem que passa



.:. Por hoje é só .:.


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paz e luz em seu caminho

TUPÃ DARAN

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Abençoados sejam o grande deus e a grande deusa
Abençoados sejam os filhos dos deuses
Abençoados sejam aqueles que procuram as pistas
Que tenhamos, sempre, muita luz, harmonia e entendimento
assim seja
assim se faça